Análise: Palmeiras prova que esquema com três zagueiros e três ‘volantes’ pode ser ofensivo, e funciona sim!

  • 09/10/2026
Com 25 finalizações e pressão alta contra o Bahia, Verdão mostra que formação no 3-5-2 pode dar mais equilíbrio ao time, potencializar os alas e ampliar as alternativas de Abel Ferreira na reta final de 2026

O Palmeiras venceu o Bahia por 1 a 0, na última quinta-feira (8), no Nubank Parque, e diminuiu para apenas um ponto a distância para o Flamengo na liderança do Campeonato Brasileiro.

Além do resultado, a atuação alviverde deixou um recado importante: jogar com três zagueiros não significa, necessariamente, adotar uma postura defensiva. Pelo contrário, o esquema utilizado por Abel Ferreira pode representar uma alternativa para tornar a equipe mais agressiva, equilibrada e dominante.

Parte da torcida palmeirense costuma demonstrar resistência quando o treinador ou seus auxiliares optam por uma formação com três defensores. A interpretação de que o sistema representa uma postura retranqueira, porém, não encontra respaldo automático no que aconteceu diante do Bahia.

Segundo o site SofaScore, o Palmeiras terminou a partida com 25 finalizações, contra dez do adversário, e conseguiu pressionar a equipe de Rogério Ceni durante boa parte do confronto. O principal mérito esteve na maneira como o Verdão ocupou o campo ofensivo.

Alas ofensivos são fundamentais para o funcionamento do esquema 3-5-2

Com a marcação alta, a equipe dificultou a saída de bola do Bahia, sufocou a construção das jogadas e reduziu os espaços pelo centro. Assim, mesmo com três zagueiros e três jogadores mais técnicos no meio-campo, o Palmeiras conseguiu manter o adversário sob pressão e produzir volume ofensivo.

A utilização de Arthur pela esquerda e Khellven pela direita foi determinante para a dinâmica da equipe. Com liberdade para avançar e explorar os corredores, os dois deram amplitude ao ataque, permitindo que o Palmeiras ocupasse diferentes espaços sem perder a proteção defensiva. A ideia é justamente aproveitar as características ofensivas dos alas enquanto os três zagueiros oferecem cobertura para eventuais perdas de bola.

Pelo lado direito, a presença de Khellven ajuda a explicar a escolha tática de Abel. O jogador oferece velocidade e profundidade, mas não tem a marcação como principal característica. Nesse cenário, a presença de três defensores pode proporcionar maior segurança ao setor, permitindo que ele avance com mais liberdade. O sistema, portanto, não serve apenas para proteger a defesa: também cria condições para explorar melhor as virtudes do jogador.

(Foto: Reprodução)
Arthur substituiu Piquerez na lateral esquerda em Palmeiras x Bahia, proporcionando mais equilíbrio ao time alviverde – Foto: Anderson Romao/AGIF

A escolha do camisa 12 também passou pelo contexto físico do elenco. Após defender a Argentina durante a Data FIFA, Giay não foi titular diante do Bahia em razão do pouco tempo de recuperação após o retorno. O argentino vinha de compromissos internacionais, e Abel optou por outra alternativa para a lateral direita. Pelo lado oposto, Arthur substituiu Piquerez, que também retornou de viagem longa após compromissos internacionais pelo Uruguai.

E a ausência de Jhon Arias, que defendeu a Colômbia no período, também proporcionou a entrada de Alexander Barboza na defesa. Mas a combinação dos dois alas – Khellven e Arthur -, entretanto, exige atenção ao equilíbrio entre os lados. Quando o Palmeiras consegue avançar tanto pela direita quanto pela esquerda, torna-se menos previsível e evita concentrar suas ações ofensivas em apenas um corredor.

Três volantes não significam um Palmeiras defensivo

Outro ponto importante está na composição do meio-campo. Com Lucas Evangelista, Andreas Pereira e Marlon Freitas, o Palmeiras teve três jogadores responsáveis por ocupar o setor central, pressionar a saída adversária e fechar os espaços. A presença desse trio não impediu o time de atacar; ajudou a sustentar a pressão e a impedir que o Bahia encontrasse facilidade para construir suas jogadas pelo meio, uma das características da equipe comandada por Rogério Ceni.

O funcionamento coletivo é o que determina o caráter ofensivo ou defensivo de uma formação, e não apenas a quantidade de zagueiros ou “volantes” na escalação. Se os alas avançam, os meias pressionam e a equipe recupera a bola perto da área adversária, o sistema pode favorecer um time agressivo. Contra o Bahia, o Palmeiras demonstrou justamente essa possibilidade, combinando proteção defensiva com presença constante no campo de ataque.

Abel pode ter encontrado uma alternativa para a reta final

Com a disputa pelo Brasileirão cada vez mais apertada, a possibilidade de alternar sistemas pode ser valiosa para Abel Ferreira. O treinador ganha uma alternativa para jogos em que deseja potencializar os alas, proteger setores específicos e aumentar a pressão sobre a saída de bola adversária. A formação também permite adaptar a equipe às características dos jogadores disponíveis, especialmente em um calendário que exige administrar desgaste físico e convocações internacionais.

A atuação diante do Bahia oferece argumentos para Abel explorar novamente a alternativa nas próximas rodadas. Com 60 pontos, contra 61 do Flamengo, o Palmeiras entra na reta decisiva do Campeonato Brasileiro com a disputa pela liderança aberta. Mais do que conquistar os três pontos, a vitória sobre o Bahia pode ter ampliado o repertório tático do Verdão.

FONTE: https://br.bolavip.com/palmeiras/analise-palmeiras-prova-que-esquema-com-tres-zagueiros-e-tres-volantes-pode-ser-ofensivo-e-funciona-sim


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