“Craque o Flamengo faz em casa”: base ganha protagonismo no profissional
- 03/03/2026
“Craque o Flamengo faz em casa” virou norte do futebol feminino do Flamengo para 2026. Em meio a uma readequação orçamentária e a um novo desenho de projeto, o clube passou a integrar de forma mais consistente as atletas formadas na Gávea ao elenco principal. A mudança representa mais do que necessidade financeira. Trata-se de uma estratégia que aposta na formação interna como pilar de sustentabilidade. A base, antes coadjuvante, agora ocupa papel central.
O movimento ganhou força no fim da última temporada, quando o clube optou por reduzir custos e valorizar talentos formados em casa. A base já acumulava resultados relevantes, incluindo o bicampeonato da Copinha Feminina. Com isso, o projeto passou a priorizar a transição estruturada para o profissional. A reapresentação do elenco, em janeiro, contou com diversas jovens promovidas. O planejamento passou do discurso para a prática.
Na volta aos trabalhos, estiveram presentes Anna Luiza, Bruna, Cerqueira, Nina Garrit, Brendha, Duda Mattos, Sofia, Isabela Nunes, Emilly e Kaylane Vieira. Muitas delas já vinham se destacando nas categorias inferiores. Agora, dividem rotina e treinos com nomes experientes do elenco principal. O convívio acelera o processo de amadurecimento. A aposta é clara: formar para competir.

“Misto de cobrança e ensino”, explica Celso Silva
O técnico Celso Silva conduz essa transição com experiência em base, incluindo passagem pelo sub-20 do São Paulo Futebol Clube. Segundo ele, o trabalho exige equilíbrio. “Apesar de ter muitas meninas subindo com qualidade técnica e experiência de seleções de base, ainda são atletas em processo de formação. Algumas estão no sub-20, outras rompendo essa idade agora. A abordagem com elas é diferente, num misto de cobrança e ensino, mas aproveitando muito essa sede que elas têm de querer fazer parte do profissional”, avaliou.
O clube também foi destaque recente no cenário internacional. O Flamengo teve o maior número de convocadas para o Campeonato Sul-Americano Feminino Sub-20, sob comando de Camilla Orlando. Sofia, Isa Nunes, Emilly, Kaylane e Brendha representaram o Rubro-Negro na campanha que terminou com o título do Brasil. A presença massiva reforça o peso da formação rubro-negra. O reflexo aparece também no profissional.
Dentro de campo, a mudança já é perceptível. As jovens recebem minutos no time principal e dividem espaço com atletas experientes como Cristiane e Djeni. Atualmente, as categorias de base treinam no CT das Vargens, em Vargem Pequena, e mandam seus jogos na Gávea. A estrutura integra os departamentos e aproxima processos. O ambiente favorece continuidade técnica.
Números que chamam atenção
Os números do início de temporada sustentam o discurso. O Flamengo soma quatro vitórias em quatro jogos oficiais, com 14 gols marcados e três sofridos. Ao mesmo tempo, a estratégia carrega riscos naturais do processo de formação. Atletas jovens tendem a oscilar ao longo do calendário. A aposta, porém, é de que o investimento na base traga retorno esportivo e estrutural.







