Opinião: Palmeiras não pode subir no salto e jogo contra o Bragantino exige alerta máximo
- 24/10/2026
A classificação para a final da Libertadores está garantida, a eliminação do Flamengo virou motivo de provocação entre os torcedores e o Palmeiras chega fortalecido emocionalmente para a reta decisiva da temporada. Mas existe um risco que Abel Ferreira e seus comandados não podem ignorar: subir no salto justamente quando ainda há muito em jogo.
Neste sábado (24), contra o Red Bull Bragantino, às 18h30, na Arena Barueri, o Verdão precisa deixar qualquer clima de euforia do lado de fora e voltar a fazer o que o trouxe até aqui: jogar novamente um futebol em alto nível, competir com intensidade e tratar cada partida como uma decisão.
O momento é especial, sem dúvida. O Palmeiras está na final da Libertadores, disputa a semifinal da Copa do Brasil e continua vivo na briga pelo Campeonato Brasileiro. É uma temporada que pode terminar de maneira histórica. Só que a possibilidade de conquistar tudo isso exige concentração máxima, humildade e regularidade. E é justamente por isso que o confronto com o Bragantino merece atenção redobrada.
A última impressão precisa servir de alerta
No meio da comemoração pela vaga na final continental, muita gente parece ter deixado em segundo plano a atuação do Palmeiras contra o Fluminense, no Nubank Parque. E esse é um detalhe que não pode ser esquecido.
Naquela partida, o time de Abel Ferreira apresentou um futebol excessivamente pragmático, recuou demais e teve dificuldades para repetir o repertório ofensivo que vinha mostrando em compromissos recentes do Brasileirão. A equipe flertou com um problema que, nesta altura da temporada, pode custar muito caro: confundiu controle de jogo com passividade.
A classificação na Libertadores trouxe alívio, especialmente depois de uma situação dramática no confronto semifinal. Mas avançar não significa que todos os problemas desapareceram. O Palmeiras precisa, urgentemente, identificar o que não funcionou e recuperar o nível de atuação que o colocou na disputa por três grandes objetivos.
Se repetir contra o Bragantino o futebol apresentado diante do Fluminense, o Verdão poderá deixar pontos preciosos pelo caminho. E não estamos falando de um detalhe menor: estamos falando de uma disputa pelo título brasileiro decidida por margens mínimas.
Flamengo eliminado, mas ainda está na frente no Brasileirão
A queda do Flamengo na Libertadores naturalmente virou motivo de festa e brincadeiras entre os palmeirenses. Afinal, o rival carioca foi um dos grandes algozes do Verdão na temporada passada, e a rivalidade ganhou mais um capítulo com a eliminação rubro-negra.
Mas a provocação precisa ficar nas arquibancadas e nas redes sociais. Dentro de campo, o Palmeiras não pode perder o foco. Com 66 pontos, o time alviverde está um atrás do Flamengo, que soma 67 e entra em campo apenas na segunda-feira (26), contra o Atlético-MG, no Maracanã.
A equipe carioca agora concentra suas atenções no Campeonato Brasileiro, enquanto o Palmeiras precisa dividir energias entre três competições. Esse cenário aumenta a responsabilidade do Verdão. O Flamengo terá mais tempo para direcionar sua preparação ao campeonato nacional, enquanto Abel Ferreira precisará administrar desgaste, suspensões e decisões em diferentes frentes.
Por isso, vencer o Bragantino é fundamental. Os três pontos podem colocar o Palmeiras provisoriamente na liderança e transferir a pressão para o rival antes de seu compromisso contra o Atlético-MG.
O momento prega foco, resiliência e senso de urgência
É uma oportunidade importante, sobretudo porque o Flamengo vem de uma eliminação dolorosa. O desgaste emocional pode pesar, embora não seja possível prever como a equipe reagirá. E o Galo, finalista da Sul-Americana, semifinalista da Copa do Brasil e integrante do G6 do Brasileirão, tem condições de dificultar a vida rubro-negra.
Só que o Palmeiras não pode depender de tropeços alheios. Precisa fazer a própria parte. O SEP não pode subir no salto. Precisa manter-se humilde, resiliente e competitivo, dividir as bolas como se fosse a última. Porque a vaga na final da Libertadores já está no bolso, mas o Brasileirão continua em disputa — e ninguém conquista três títulos apenas com a força da camisa.







