Palmeiras tem um risco que Canobbio pode transformar em arma do Fluminense na Libertadores
- 13/10/2026
O Palmeiras chega à semifinal da Libertadores com uma estrutura que ganhou força nos últimos compromissos, mas o confronto com o Fluminense exige uma atenção que vai além da capacidade de atacar. No Maracanã, nesta quarta-feira (14), o desafio de Abel Ferreira será fazer o sistema funcionar também nos segundos seguintes à perda da bola. É nesse intervalo, quando uma equipe ainda tenta se reorganizar e a outra identifica a possibilidade de acelerar, que o Flu pode encontrar um caminho para ameaçar o Verdão.
A goleada por 4 a 1 sobre o Corinthians reforçou a confiança alviverde e mostrou a capacidade da equipe de ocupar o campo ofensivo, recuperar a posse e transformar determinadas ações em oportunidades de gol. O desempenho recente, porém, não elimina uma questão tática importante: quanto mais jogadores o Palestra aproxima da área adversária, maior é a responsabilidade de quem permanece atrás da jogada. Contra um rival capaz de construir por dentro e acelerar pelos lados, a qualidade da ocupação ofensiva precisa caminhar junto com a proteção dos espaços.
A utilização de três zagueiros oferece a Abel uma ferramenta para administrar esse problema. Com uma linha de três defensores, o Verdão pode manter a cobertura pelos lados enquanto um dos jogadores participa da construção ou acompanha uma movimentação adversária. Isso não significa que o sistema esteja automaticamente protegido. Se o ala avança, o zagueiro do setor precisa decidir quando acompanhar o atacante aberto e quando preservar sua posição. Uma saída mal coordenada pode abrir justamente o corredor que a formação pretende controlar.
Um alerta sobre o Fluminense
Por esse caminho que o Fluminense pode tentar incomodar o Alviverde. O time carioca combina circulação de passes, movimentação entre os setores e alternativas para acelerar as jogadas. Na semifinal, a questão não será simplesmente descobrir se o Tricolor terá mais ou menos posse, mas identificar como pretende progredir quando encontrar espaço. Se conseguir superar a primeira pressão palestrina, poderá atacar os corredores antes que os alas retornem e que os defensores reorganizem suas coberturas.
A primeira resposta da SEP precisa aparecer imediatamente após a perda da bola. Quando há jogadores próximos do local da recuperação adversária, a pressão pode interromper o contra-ataque antes que ele ganhe velocidade. O problema surge quando o primeiro combate é vencido pelo Fluminense e os palmeirenses continuam avançando individualmente para tentar recuperar a posse. Nesse cenário, a equipe corre o risco de perder referências de marcação e permitir que um passe vertical elimine mais de um jogador de uma só vez.

Há também uma zona menos evidente, localizada entre os meio-campistas e a linha defensiva. Se o Flu encontrar um jogador capaz de receber nesse espaço, girar e acelerar a jogada, os zagueiros terão de escolher entre abandonar a última linha para pressionar ou recuar diante da possibilidade de um passe em profundidade. O Palmeiras precisa evitar que o adversário receba de frente e com tempo para decidir. Fechar os corredores é importante, mas permitir liberdade por dentro pode apenas transferir o problema para uma região ainda mais perigosa.
Palmeiras de olho em Canobbio e companhia
A presença de jogadores como Canobbio e Soteldo, utilizados na formação do Fluminense que venceu o Palmeiras por 3 a 2 pelo Brasileirão, ajuda a ilustrar a possibilidade de exploração dos lados. São características individuais que podem oferecer alternativas quando o time recupera a bola e encontra espaço para avançar. A formação daquela partida, entretanto, não deve ser tratada como uma escalação garantida para a semifinal. O ponto central é compreender como o adversário em questão pode utilizar amplitude, velocidade e movimentação para obrigar a defesa palmeirense a abandonar sua organização inicial.
A comparação com os jogos recentes do Verdão precisa considerar as diferenças entre os adversários. Contra o Bahia, a análise deve observar como o Verdaço protegeu os espaços durante a saída e reagiu às perdas de posse. Diante do Corinthians, a vitória por 4 a 1 mostrou uma equipe capaz de sustentar sua presença ofensiva e aproveitar as oportunidades criadas. Os dois jogos oferecem material para avaliar o funcionamento da estrutura, mas não autorizam concluir que o Fluminense encontrará os mesmos problemas ou oferecerá as mesmas condições de jogo.
O clássico entre Fluminense e Flamengo também exige uma leitura cuidadosa. A equipe de Marcão perdeu por 1 a 0 utilizando uma formação modificada, em um contexto de preparação para a semifinal. O resultado não permite afirmar que o Tricolor chegará fragilizado nem comprova que a estratégia de preservação tenha produzido uma vantagem física decisiva. Para a análise tática, interessa observar os comportamentos coletivos que possam ser mantidos com a volta de jogadores habituais e separar aquilo que foi consequência da escalação daquilo que representa uma característica do modelo de jogo.
Do lado Verde e Branco, a solução não precisa passar por uma redução indiscriminada das subidas dos alas ou por uma equipe excessivamente preocupada em proteger a própria área. Abel pode buscar equilíbrio com ajustes de posicionamento: garantir que um dos jogadores do meio permaneça em condições de proteger a entrada da defesa, coordenar a cobertura do lado oposto e evitar que os três zagueiros sejam obrigados a defender grandes distâncias em campo aberto. A ideia é preservar a capacidade ofensiva do Maior Campeão do Brasil sem transformar cada perda de bola em uma corrida para trás.
Como diria Avallone: “uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa”
Existe ainda uma diferença importante entre pressionar e simplesmente perseguir o adversário. A SEP precisa identificar quando vale tentar recuperar a posse imediatamente e quando é mais seguro atrasar a progressão do Fluminense, recompondo as linhas antes de disputar novamente a bola. Essa escolha depende da localização da perda, da quantidade de jogadores próximos e da possibilidade de proteger o passe seguinte. Uma pressão bem coordenada pode sufocar a transição; uma tentativa desorganizada pode oferecer ao Tricolor exatamente o espaço que procura.
A semifinal coloca uma questão que vai além da disputa pela posse ou da capacidade de cada equipe de criar chances. O Verdão precisa atacar com a convicção que demonstrou recentemente, mas também estar preparado para o momento em que o adversário recuperar a bola e tentar acelerar. Se conseguir proteger os corredores, fechar os espaços entre meio-campo e defesa e reagir de maneira coordenada às perdas, o Palestra poderá reduzir uma das principais possibilidades de ameaça do Fluminense. No Maracanã, a força ofensiva de Abel será importante, mas a capacidade de impedir que ela se transforme em vulnerabilidade pode ser decisiva.







